Poemas dos Desvios


12/11/2007


TELA

- rabisco teus seios

com canetas hidrográficas

rabisco, traço barquinhos

peixes nuvens palmeiras

pássaros e você sorrir

 

- escrevo no teu ventre

no breve e arrepiado púbis

palavras obscenas e obtusas:

bala bolacha bandeiras

brisa balanço sino

e você sorrir levemente

um sorriso langoroso...

 

- rabisco nos teus seios

desenho discos voadores

perfis pelicano pianos

teu corpo é uma coluna

coberta de hieróglifos do amor

que invento com canetas hidrocor.

 

Categoria: Poemas
Escrito por Edir Augusto às 16h30
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A BELEZA DA LUTA

abriu-se o medo e a manhã e o fulgor insano

ensina-me a ser só, só a nostalgia de não ser

ensina-me o caminho dos mortos suas linguagens de equilíbrio e fogo

e nem me queira prisioneiro do pitoresco e inusitado

eu sou arqueiro, eu fui curado, não me queira intimidar com elogios certeiros

meu ego curou meu egocentrismo

meu ego cegou meu egoísmo...

 

sim, pelo nada não morrerei, por tudo ou todos não combaterei o bom combate dos justos, nem por você nem por mim...

oh! tristes escravos das razões, não me erguerei pelas mesmas causas louváveis que vós, não resistirei à sombra de vossas bandeiras ancestrais...

é pelo futuro que meu sangue se rebela

é pela própria beleza da luta...

Categoria: Poemas
Escrito por Edir Augusto às 16h27
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CONFIDÊNCIA

uma nuvem confessou à noite

que as estrelas faziam cócegas nas suas costas

 

Categoria: Poemas
Escrito por Edir Augusto às 16h25
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ESPOLETA

a espoleta do poema

é infensa à umidade

do sono

do fonema...

Categoria: Poemas
Escrito por Edir Augusto às 16h23
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SUSTO

soma de avessos

nos jogos de acasos

meu grito é fragmento

paridos em ecos

os passos na noite

calada em mim

as portas gementes

os grilos as árvores

do velho cemitério

as ruínas da mente

o amor - um susto!

Categoria: Poemas
Escrito por Edir Augusto às 16h22
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SORRISO DE LUA

surge desse instante

os cogumelos de sangue

não haveria poesia no banquete

que teus olhos dispunham?

é preciso iluminar o caminho...

 

as palavras criam pedras

humos sonhos e asas

desde o tempo que eu era poeta

e deus ainda não havia sido criado.

 

o silêncio era máscara

no rosto da noite ulcerada

um sorriso pálido de lua

e tudo que estava em movimento,

o perigo de te olhar e não me ver...

Categoria: Poemas
Escrito por Edir Augusto às 16h11
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DESERTO DE MIM

estou um deserto

e me afogo nos restos da vida

quem me deu esse rosto? esse olhar mais que torto?

dói-me ver o que é simples: esse buraco

no qual caem os abismos

que tenho nas mãos

                o que resta de mim

se nem ainda...

se no entanto...

                se contudo é tarde.... é tarde?

eu não sei-me o sabor que concentro

- não é assim! vamos recomeçar

estou deserto de mim

e qualquer ramo de vida em mim seca.

 

Categoria: Poemas
Escrito por Edir Augusto às 16h10
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09/11/2007


ROTINA

do tempo trabalhado não resta nada

- limas usadas fuligem

cercam a umidade

não deu beijo

mas tudo estava tão...

não vou dizer que abri a porta

que já sei caminhar com minha sombra

que a palavra está em minha boca

e a bandeira... não importa a importação

salário lixo ciúme

quanta ambigüidade e embriagues

pelas bordas da manhã os raios fulgidos

do sol despontam sem cerimônia.

Categoria: Poemas
Escrito por Edir Augusto às 12h22
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POEMA DA HORA DA MORTE

a hora da morte é imprópria

o homem pensa com os culhões

a hora da morte é foda

quem vai querer outra vida?

deixa as putas intranqüilas

deixa as crianças lindas

deixa os velhos apavorados

com uma esperança sem sentido

a hora da morte é cínica

queremos mentir

queremos comer um cú

queremos gritar pelo tempo

cuspir na cara dele xingar a mãe dele

a hora da morte é linda

tem sempre alguém pra rezar por nós!

 

Categoria: Poemas
Escrito por Edir Augusto às 12h20
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CASCALHOS

poemas ruins
lixo de poemas
merda de poemas
estou vivo e fantasio
abro fundo esse buraco!

estou na minha
estorou
a rima!

poemas podres!
grande merda!
o que fazer?

poema torpe
tipo nulo
sujo maltrapilho
pilha a alma

atrapalho o perfeito da noite
com meus passos defeituosos
engano as sombras

sombrinhas despedaçadas pelo vento!
ventila-dor
ventila-dor
merda!

que não volte o tempo
enquanto o tempo
não volta

estou tecendo...
a vida não sei...
é um novelo?
navalha na carne
nirvana nunca!

ah desperdício
quantas palavras
para não usá-las!

quase peço desculpas
quero entender esse desastre!
a poesia corrompe a pureza da alma?
torna-se um vício?

um pacato sonho
pesada carcaça
serviçal dos desejos
cascalhos

Escrito por Edir Augusto às 12h19
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ABANDONO DE SI

fiquei aqui

nem sei como cheguei

sei que me vi assim

ficando sem querer

sem saber vejo

as folhas caindo

folhas secas suicídas

morrem dançando no ar

olhei o colorido das ruas

e as luzes luzindo à distância

e o ruído da festa de ontem!

fiqueisem saber como

tinha algum plano?

tinha algum sonho?

ficar é esquecimento

disso o tempo

o tempo sabe!

você está em todo lugar

te vejo agora pulsando as poesias!

Categoria: Poemas
Escrito por Edir Augusto às 12h17
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LEGADO

deixar-te as palavras o toque mais leve a flor de neve o beijo de lavas leva comigo o sonho deixa contigo o engano todas as canções morrem no desespero!

Categoria: Poemas
Escrito por Edir Augusto às 12h15
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CANTIGA DE RODA

vamos fazer de conta o tempo envenena vamos fazer amor uma cabana no planalto central te ensino a fazer pipas de papel... e tu me ensinas o teu papel!

Categoria: Poemas
Escrito por Edir Augusto às 12h14
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SUMÁRIO

... o cetim veludo do nome palavra arriscada aproximando o perigo o risco riso do mundo ...mais nada escrevo o que somente vem terei então desperdiçado-me e não sei quantas flores servem para um poema para esse poema apenas teu nome constelas as ruas vazias de feriado e as árvores levemente agitadas riem da minha sombra demente por que te digo que há mais que um semblante aqui que há sonhos que vivem muito que há ensejos de buscas, mas onde estamos? estamos? ou é apenas o necessário poema que ainda não te toca a linha dos lábisos os cílios dos olhos profundas cintilações como serei, enfim, se houver o ser com que pulso intraquilo na crosta dura do mundo ferindo meu pés nas pedras... e pergunto, assunto, não vejo... o vazio o lírico vazio almoça comigo outra vez o grito quer desencantar o que ficou do tempo ... palavras usuais, as mesmas... como dizer? terei ao menos um pensamento pra ti agora que seja teu e simples e singelo e puro? sobre tudo é raro viver, é raro não viver e olhar outra vez para o que há e sentir que há mais... não há mais!

Categoria: Poemas
Escrito por Edir Augusto às 12h13
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Notícias VI

poemas a dever como a beleza é tênue linha entre o desejo e a forma existente e podemos divagar ausentes... pelos percurso refeito a arte pede coragem dizemos mais sempre esquivos aspirações invulgares... amparado no dorso do poema sobre o canal meu rosto denuncia manhã de sol manhã de sol manhã de sol entro nas aspas dessa música estúpida peço desculpas por não ser mais eu ouço as notícias pesar sincero e as cores não me dizem mais... poema perdido perdido em vozes lânguidas - quero saber as horas o sabor das horas o sobrvôo agora poema marcado em tatuagens vagas!

Categoria: Poemas
Escrito por Edir Augusto às 12h11
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